História do Kung Fu
O templo foi construído em 495 d.C. por um forte patrocinador do budismo na China, o imperador Xiau Wen (reinado: 471 - 500 d.C.|dinastia Wei). Sua localização inicial foi no meio da floresta ao pé da montanha Song na província de Henan. O nome Shao Lin, cujo significado é "Floresta Jovem", advem do fato de ter ocorrido um grande incêncio na floresta ao redor, que aos poucos foi se regenerando devido ao replatio das árvores. Construído para ser o maior centro de estudo do budismo da época teve como seu primeiro monge superior o Abade Bahdra (Batuo) e assim ficou até 525 d.C., quando o monge indiano Damo (Bodhidarma) chegou e, segundo muitos contam,introduziu as artes marciais no mosteiro.
Muitos militares e nobres perseguidos refugiaram-se no mosteiro de Shao Lin foragidos, convidados e alguns até mesmo em busca da iluminação oferecida pelo budismo. Por esse e outros motivos, os monges de Shao Lin puderam aprender e aprimorar quaisquer estilos de artes marciais com que tivessem contato. Os estilos de artes marciais no Templo Shao Lin eram exclusivos aos monges e devido à grande variedade, eles foram divididos e ensinados em 48 câmaras diferentes, cada uma com um estilo diferente e um monge responsável. A mais famosa ensinava "As Dez Rotinas de Shao Lin", a base do Shao Lin do Norte. Devido a ataques que o mosteiro havia sofrido, em 1650 os monges resolveram aceitar discípulos leigos só para o aprendizado marcial, pois assim eles ficariam mais protegidos e evitariam que suas técnicas se perdessem. Entretanto, o mosteiro foi mais uma vítima das guerras na China, pois além de servir como aliados também eram uma grande ameaça aos imperadores. Quase destruído em dois ataques, um em 1736 e o outro em 1928, onde só restaram o portal de entrada e parte do cemitério, o mosteiro quase teve seus estilos perdidos. Os ensinamentos só continuaram a ser difundidos devido à alguns monges sobreviventes e aos leigos que haviam sido ensinados anteriormente. Dentre os monges que fugiram, os que mais se destacaram foram Li Shikai, Hu Dadi, Ma Shaoxing, Fang Dahong e Cai Dezhong. Estes refugiados se uniram aos monges Yun Zong e Zhi Kong e formaram o Templo Shao Lin em Fukien (Sul). Houve outros mosteiros que estiveram relacionados de alguma forma com as artes marciais, mas a despeito do que muitos afirmam, o mosteiro de Shao Lin nunca possuiu filiais ou relações diretas com outros mosteiros, mesmo com o de Fujian.
Preceitos do Templo Shao Lin“Primeiro Preceito: é necessário que o corpo seja ágil, rápido e enérgico. Todos os movimentos do corpo devem ser suaves e bem coordenados. Você deve melhorar sua técnica todo o tempo, só assim estará apto a conseguir bons resultados.” “Segundo Preceito: o movimento de suas mãos e pés devem estar em perfeita sincronia. As batidas de seu coração, que bombeiam o Chi pelo corpo, também deve estar de acordo, pois a atividade do Chi reforça o corpo e torna sua mente esperta como a de um tigre ou dragão. Se força e energia estiverem trabalhando em conjunto, você conseguirá demonstrar habilidades impressionantes.” “Terceiro Preceito: durante uma luta, todos os cinco elementos devem ser fundidos em um só. Cada um dos cinco elementos origina uma energia Chi diferente, energia esta que é a base para o corpo agir. Se sangue e Chi estiverem em completa harmonia, uma saúde e força perfeitas estarão ao seu alcance.” “Quarto Preceito: você deve estar sempre preparado a se defender de qualquer lado. Você deve estar sempre atento para virarse seja qual for a direção em que seu inimigo o está atacando, ficando sempre frente‐a‐frente com ele, olhando‐o com fúria. Muitas vezes, um bom olhar de tigre espanta o pequeno pássaro sem a necessidade de luta” “Quinto Preceito: há diferentes movimentos possíveis em uma batalha, você sempre deve determinar o que melhor se adquar ao momento e o que lhe garantirá melhor uso de seu Chi e de sua saúde.” “Sexto Preceito: você deve conhecer como trabalham exatamente seus punhos e pés para fazer uso correto deles. Procure usar seus socos como se cruzasse o adversário em diferentes direções, mas golpeando‐o diretamente. E procure chutá‐lo das formas mais misteriosas possíveis, buscando surpreendê‐lo sempre.” “Sétimo Preceito: durante um combate, use o seu corpo como um todo. Se usar somente seu punhos ou pés, terá um resultado menos satisfatório e mais previsível. Procure sempre atacar com velocidade e força, visando os pontos fracos adversários e avançando sempre, forçando‐o a se defender e recuar.” “Oitavo Preceito: procure manter seus pontos fracos bem guardados a salvo de seu inimigo. Como sempre temos mais de um, quando o inimigo lhe atacar pela direita, exiba o ponto fraco da esquerda, e vice‐versa. Mas nunca, nuca dê as costas a um inimigo em combate; mesmo cercado, você deve aprender a se defender de todos os lados como defende a sua frente.” “Nono Preceito: três elementos humanos podem determinar o vencedor de um combate: os olhos, ouvidos e o coração. Os olhos devem estar sempre atentos aos movimentos do oponente. Os ouvidos devem estar escutando não apenas seu oponente, mas tudo ao seu redor. Os olhos vêem, os ouvidos ouvem e transmitem tudo isso ao coração que bombeará sangue e chi nas quantidades necessárias para que você não cometa erros.” “Décimo Preceito: use seu espírito em combate assim como usa seus punhos. Use seu chi assim como usa seu espírito. Se você dominar os segredos do que há além da carne, nada o deterá e obterá um sucesso completo em tudo que fizer.”
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